Imóvel, em um silêncio sem gosto, nem cheiro. Era dia, na calmaria, de repente eu vejo o meu reflexo no alumínio de estante, e isso me assusta. O coração acelera, os olhos dilata,uma presa em perigo na vista do caçador. Mas quem me caça? quem resteja na sombra e se alimenta do meu medo se só?
Eu me acalmo, afinal, foi só o meu reflexo, não há o que temer. Mas em alguns minutos depois, meu meedo volta em forma da sombra da minha mão. Cinco segmentos alongados se unem num ponto só, e isso me faz arrepiar. Mais uma inconstância no batimento cardíaco. Uma dose de adrenalina que surge do calcanhar. É momentâneo, já passou e tudo voltaa ser como era antes, numa busca pelo perdido.
É de novo mais uma agitação em meu corpo, só que dessa vez não é momentâneo, permanceceu comigo e com aqueles olhares que me encaravam entre uma estante e outra. Emabaçados e cinzentos mas definivel. Eles me paravam, me conduzia até o fim.
Naquele momento, exatamente ali, eu não era mais eu. Eu estava preso, sem forças, nem motivo. Apenas seguia o meu exterior em reflexos. Sem voz, nem qualquer outro sentido, eu era o meu próprio reflexo.
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