Não era pelo cigarro, não era pela cerveja, era por mim. Talvez a subconsciência me acalente da pequena morte de todos os dias, a ressaca diária não me impediria de viver um novo dia. Eu estava ali por mim mesmo, eu e meus pensamentos. Fiquei entre dois ou três amigos, mas eu conversava comigo para cada assunto que eles começassem.
Falar de outras pessoas e lembranças enquanto eu te visitava todas as noites nesses bares, na minha cama, nas músicas, no sorriso disfarçado, mas manchado. Parecia normal falar bem ou mal, parecia comum ter que opinar sobre algo que julgam interessante, era um jeito de mostrar o quanto estavam perdendo por nada, aproveitar o momento. Mas eu aproveitava meus pesadelos.
Ficava mais difícil após às 01:00hr, não havia prazer nenhum em permanecer no bar, na fila do banheiro, num rosto conhecido que deseja sorte. Não há mais dias de glórias, só estática. Não vejo mais pelos olhos deles, me avisaram quando você passou. Te avisaram quando me viram? Naquela noite não seríamos nada além de uma cicatriz. E amanhã um band-aid. No outro dia uma cicatriz e assim segue.
Por que eu ainda fumo? a fumaça não me diz nada. O gosto é o mesmo, não é mais prazeroso, só uma rotina que não sei parar. Talvez eu agora entenda do que fomos feito quando a cinza manchar minha camisa ou quando a cicatriz da queimadura formar algum desenho no meu braço. Só preciso de uma razão sobre meus sonhos assustadores. Só me deixe entender que não fui um mal entendido. Talvez um fator que mude a vida das pessoas e não a minha.
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